ASMIR-PB Associação dos Militares da Reserva Remunerada, Reformados e Pensionistas das Forças Armadas

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O SILÊNCIO QUE ATORDOA

Dia da Engenharia

Esse editorial foi feito há alguns anos e considerando que amanhã é o dia da Arma da Engenharia, decidi republicá-lo, com pequenas atualizações, em homenagem a todos os valentes Engenheiros e, muito particularmente, ao 1º Grupamento de Engenharia - Grupamento Gen Lyra Tavares, parceiro maior em todos os eventos patrocinados pela ASMIR-PB.

O SILÊNCIO QUE ATORDOA
Motivos de ordem familiar e profissional contribuíram para que fosse eu um assíduo usuário da BR-101 Norte. Milhares de vezes tive que me deslocar entre João Pessoa - Mamanguape - Natal. Lembro com um quê de saudade quando a BR-101 teve seu trecho concluído entre Mamanguape e João Pessoa. O ano era 1970, exatamente quando ingressei na faculdade e, diariamente, percorria aquele trecho. O tempo passou, ingressei na carreira militar e, de 1983 a 1987 e 1996 a 1998 me vi novamente em Natal, mais uma vez cliente da BR-101.
De repente me vejo de volta à Natal, novamente vindo do Rio de Janeiro. É 2001. Por imposições diversas me divido entre Natal e João Pessoa. Lá trabalho e aqui vive a minha família, cujo convívio usufruo nos finais de semana, novamente enfrentando o traiçoeiro tráfego da velha 101, cada vez mais movimentada. Em 2006, quando começo a vislumbrar a passagem para a reserva, sou surpreendido pela duplicação. Bem que poderia ter iniciado bem mais cedo, mas, como diz o velho ditado – antes tarde do que nunca.
O tempo, como sempre, não para. É um dia de sábado, início de novembro de 2010. Mais uma vez estou regressando de Natal, vindo de um almoço de confraternização de Oficiais na reserva. O sol do meio-dia está quente, impiedoso. Vejo pessoas envergando o uniforme camuflado. É a nobre Engenharia do EB, a Engenharia de Villagran Cabrita, dando vazão à sua canção, quando diz: “Teu lema é sempre servir”. Essa visão mexeu com o coração do velho soldado.
Na imagem daqueles militares, trabalhando com o sol a pino, em pleno sábado, resumi o trabalho silente dos heróis anônimos que sem buscar outra recompensa que não a consciência do dever cumprido, dão exemplos cotidianos de patriotismo e brasilidade.
São as tripulações dos Navios de Assistência Hospitalar e Navios Patrulha que singram a malha hidroviária da Amazônia e do Pantanal Mato-Grossense, atendendo ao caboclo ribeirinho, prestando assistência médica, odontológica e laboratorial. São os militares da Fragata Constituição, somente para rememorar o fato recente do acidente do Airbus do vôo AF 447, exemplo emblemático do esforço da MB para a salvaguarda da vida humana no mar.
São os bravos pelotões de fronteira, única manifestação do Estado brasileiro ao longo das nossas fronteiras, onde seus oficiais e graduados, auxiliados pelas destemidas esposas, fazem o papel de médico, juiz e professor; é a Arma Azul-Turqueza construindo barragens e açudes, realizando a transposição do São Francisco e tantas outras obras mais, mitigando a sede do sertanejo nordestino e irrigando o solo seco.
São os bravos tripulantes da FAB, chegando aonde não chega o navio nem a viatura, se constituindo no único apoio para esses brasileiros esquecidos pelos governos na vastidão amazônica. São os membros do Para-Sar que, frequentemente, arriscam a vida em resgates quando de acidentes aéreos. Esses exemplos acima citados retratam apenas atividades assistenciais, posto que em um país sem guerras formais, a ausência da consciência cívica e da visão estratégica, mesmo nas classes mais favorecidas e intelectualizadas, o preparo militar em stricto sensu não é reconhecido, tampouco desejado.
A nação desconhece o que faz as suas Forças Armadas. Não sabe o esforço ingente das tripulações que cruzam nossos mares, se adestrando continuamente para permitir à Marinha melhor defender nossas vias marítimas e proteger nossas plataformas petrolíferas Não há a menor noção das dificuldades inerentes ao treinamento dos Fuzileiros Navais, que enfrentam a adversidade dos ambientes inóspitos, tudo para manter a excelência da sua prontificação.
A população ignora as carências do nosso Exército que, a despeito de tudo, dá soberba prova de competência e operacionalidade, evidenciando o porquê do “Braço Forte e Mão Amiga”. Desconhecem os guerreiros de selva, o combatente da montanha, o aguerrido paraquedista, o médico e o técnico.
Os governos anteriores “empurraram com a barriga” o atendimento às necessidades prementes da FAB, que há muito reclamava de aeronaves que lhe permitissem ter um poder aéreo compatível com o status e projeção internacional do país ? a aquisição dos novos caças é o melhor exemplo disso. Enquanto isso, nossos pilotos, reconhecidos internacionalmente por sua competência e arrojo, continuam em terra, com a maioria das suas aeronaves “groundeadas”.
Se, como insinua o título de artigo, o dia a dia militar passa despercebido pela maioria dos brasileiros, muito se fala e se escreve quando “a coisa pega”. As ações empreendidas pelas Forças Armadas quando da intervenção federal no Rio de Janeiro e no permanente confronto contra o narcotráfico e outras modalidades criminosas, de repente passaram a ser alvo da mídia e, mesmo assim, sempre com um olhar enviesado, buscando o menor erro, o menor deslize.
Se aquele soldado da Engenharia, para quem naquele sábado prestei minha respeitosa continência, lesse essas linhas, certamente entenderia a silenciosa homenagem do meu gesto.


Noel Xavier BUSTORFF
Presidente da ASMIR-PB
Biênio 2018/2020



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